novembro 23, 2009
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Uma leitora identificada chamou-me à atenção para este site que tem os jogos do ZX Spectrum
A desilusão foi maior do que a que tive quando revi os Jovens Heróis de Shaolin. Como é que eu fui perder tanto tempo com aqueles jogos?
Publicado por [Saboteur] às 10:00 AM | Comentários (0)
O Faustin vai actuar no Maria Matos
Parece que fizeram as pazes...
Publicado por [Saboteur] às 09:12 AM | Comentários (0)
novembro 22, 2009
Francisco Louça - Biografia

A recém editada biografia de Francisco Louça é de uma parcialidade aterradora. Note-se que aqui não se pretende tanto criticar o biografado mas antes o biógrafo, António Simões do Paço. Louça é apresentado sem qualquer distância crítica ou objectividade, no entanto, sendo esta uma biografia autorizada é óbvio que o dirigente bloquista não sai ileso da história.
As divergências internas, por exemplo, quer na construção, quer na consolidação do Bloco de Esquerda, simplesmente não existem para Simões do Paço que pinta toda a história de um cor de rosa plástico enganador.
Além de não adiantar absolutamente nada de novo sobre a figura, o seu percurso e os seus partidos tem pérolas como esta, oferecida aos leitores logo na página 20: "(...) Francisco Louçã estreou-se mesmo a dar serventia de pedreiro (fosse o Bloco de Esquerda um partido estalinista à moda antiga e este episódio seria certamente empolado para arranjar-lhe um passado proletário)". Pasme-se! Onde terá o homem sido trolha? O autor elucida: foi numa jornada de trabalho voluntária com um padre e um amigo a ajudar a construir uma capela!
De uma só penada crítica o PCP, o seu secretário-geral e mostra a superioridade moral de um partido que não engana os seus fiéis. O exemplo parece-me elucidativo do tom que percorre todo o livro.
Publicado por [Paradise Café] às 12:44 AM | Comentários (7)
novembro 21, 2009
Ouvido numa rádio francesa – a difícil conjugação de“tiersmondisation”
-Os “bleus” acabaram por ganhar… mas é uma vitória amarga?
-Como toda a gente imaginei dois cenários possíveis: preparei-me para cantar vitória ou chorar em caso de derrota. Rezei para ser poupado da sessão de penalties fortemente desconselhada na minha idade. E aqui estou eu envergonhado por esta vitória deplorável (...). Houve uma mão visível, voluntária e reconhecida. Felizmente nenhum jogador francês defendeu como Maradona a “Mão de Deus”. A França não se “terceiromundisou” em favor desta mão. Estamos face a um caso de consciência.
Publicado por [Shift] às 05:00 PM | Comentários (1)
novembro 20, 2009
Poesia de rua #57

Publicado por [Chuckie Egg] às 10:35 AM | Comentários (3)
Publicado por [Saboteur] às 02:05 AM | Comentários (0)
novembro 19, 2009
Dicionário das Utopias

Porque o “fim da história está longe de ser programado” faz todo o sentido dar atenção ao novo Dicionário das Utopias. Segundo os autores, Michèle Riot-Sarcey, ThomasBouchet e Antoine Picon, o livro das Edições texto & grafia sai em busca da historicidade das utopias e de um retorno à compreensão, geralmente perdida, de um passado esquecido. Utopia esta, compreendida pelos investigadores como uma espécie de remeniscência de uma necessidade insatisfeita que reaparece como necessidade de reabilitar a crítica de um presente conflitual
Um trabalho à primeira vista sério, recusando a simplificação, aparentemente norteado pela abordagem histórica.
Publicado por [Paradise Café] às 06:25 PM | Comentários (2)
Nakba a cores!

Há uns tempos a Câmara Municipal de Paris decidiu celebrar os 100 anos de Tel-Aviv -1909 – 2009 – apresentada como uma cidade nascida da areia e do mar, representando a modernidade de Israel e isenta da imagem de espoliações que foram feitas aos palestinianos em 1948... Ao invés, Tel-Aviv vive à sombra dos escombros e imagem do que Jaffa simbolizava outrora para os Palestinianos. Jaffa era antes de 48 o grande centro cultural palestiniano, como demonstram ainda cartazes da época da vinda da cantora Um Koultoum (a grande “diva” do mundo árabe) a esta cidade.
“Os caminhos do meu programa de visita conduziram-me a Jaffa. Outrora considerada como o grande porto da Palestina, esta cidade e Haifa foram as portas da imigração sionista em massa nos anos 40. Unida desde então à municipalidade de Tel-Aviv, Jaffa foi o alvo de um grande projecto imobiliário que transforma ainda hoje esta cidade num exemplo de como a deslocação forçada da população palestiniana (agora com cidadania israelita, mas sem com isso terem os mesmos direitos) é um acto não terminado. Se as demolições das casas palestinianas são cometidas em nome da segurança pública, a especulação imobiliária e a recusa de autorização de construir aos palestinianos não deixam sombra de dúvida no que diz respeito às politicas públicas israelitas visando exclusivamente esta população”. Estas foram a recordações que guardei de Jaffa, estas e as cores das laranjas da ainda hoje conhecida marca de laranjas de Jaffa. Uma amiga palestiniana nascida num campo de refugiados no Líbano (Chatila), emigrada em França, contara-me um dia que ao fazer compras num mercado francês quase comprou sem saber laranjas de Jaffa. Quando se apercebeu da coisa, decidiu fazer boycot pois estas laranjas, agora israelitas, pertenceram um dia ao pai (explorador de cerca de três hectares de laranjeiras). Quando telefonou ao pai, em Beirute, contando o episódio do mercado, este mesmo homem respondeu: “foste estúpida, as laranjas de Jaffa são as melhores do mundo”.
A história contada e recontada da “terra sem povo, para um povo sem terra” vingou. O trabalho de branqueamento do que foi a Palestina é ainda hoje o pão de cada dia do governo israelita. Destrói-se sem pudor as ruínas de aldeias inteiras (únicas provas de uma existência... além das oliveiras centenárias, tidas como árvores selvagens na terminologia israelita), inventa-se poeticamente a história de um país começado do zero, manipula-se a memória individual daqueles que chegaram em 1948 e cala-se a memória colectiva dos palestinianos.
Zochrot é uma das associação israelo-palestiniana que tem ido contra esta corrente. Têm desmultiplicado esforços para elucidar a verdadeira história da criação do Estado de Israel, construído mapas que mostram a situação geográfica das aldeias palestinianas destruídas em 48, criado instrumentos pedagógicos sobre a Nakba.
Toda esta “introdução” para vos introduzir um documento de arquivo que acabo de descobrir. Um pequeno vídeo a cores do início dos anos 50, feito por um tal Fred Monoson, judeu americano, que mostra as consequências da agressiva ocupação israelita da cidade de Led:
http://www.ynet.co.il/articles/0,7340,L-3806739,00.html
Não me deixei desconcentrar pelo artigo em hebraico onde se encontra este vídeo inserido, no entanto, fiquei estremunhada pelo facto do filme ser a cores. É verdade que as inovações técnicas no cinema começaram a dar os seus frutos coloridos nos anos 20 e 30. É verdade também que nos encontramos logo a seguir à II Guerra Mundial, um dos primeiros grandes momentos mundiais a ter algumas imagens coloridas, contudo, ver a Nakba a cores é algo inédito, não só porque não convém mostrar “uma terra com povo, para um povo sem terra” como pelo facto de mostrar que este momento é bem recente (+-60 anos), tendo em conta a nossa automática associação entre imagem a cores e modernidade.
Publicado por [Shift] às 01:56 PM | Comentários (0)
novembro 18, 2009
A festa de babete

"A tarefa era dura: tinha de juntar toda a informação possível sobre os locais que constavam do roteiro gastronómico do caso «Face Oculta». Durante largos meses, os homens fartaram-se de almoçar uns com os outros por esse país fora. Mas eu só tinha uma semana. Meia-dúzia de dias a comer e beber nalguns dos melhores restaurantes do país... Era um trabalho sujo, mas alguém tinha de o fazer. [...]
O polvo mostra-se generoso em quantidade e qualidade, acompanhado no interior do tacho onde se banha num molho escuro e espesso por batatas, grelos, tomate e camarões. Outra das referências da casa é o leitão, assado com o cuidado e a sapiência destacados por vários críticos gastronómicos. Mas o leitão está esgotado... Ou não. Na mesa ao lado, dois cavalheiros que chegaram mais tarde acabam por se deliciar com uma travessa de nacos do pequeno reco. Terão encomendado com antecedência. [...]
O ritual é sempre o mesmo: entramos e desfilamos perante uma banca de peixe e mariscos para escolher a refeição - entrada e prato principal. É uma visão impressionante, mesmo para quem não tenha a paixão pelo peixe fresco, este baixo-relevo formado por exemplares notáveis de robalo, dourada, sargo, pargo, linguado, pregado, corvina, cherne, salmonete. Todos alinhados numa frescura que nos leva a pensar que a qualquer momento nos vão saltar para o colo...
Ali ao lado, camarões-tigre, carabineiros e amêijoas oferecem-se à gula para entrada. Irresistível. Junte-se a tudo isto a qualidade irrepreensível dos acompanhamentos (umas batatinhas assadas no forno que são um mimo e uma salada mista de pimentos, tomate, cebola e batata) e tudo se conjuga para uma refeição inesquecível, numa sala apesar de tudo capaz de conter as muitas conversas, mas com um serviço de rapidez oscilante - como o peixe tem de passar pela grelha, os primeiros a chegar e a pedir são servidos depressa, mas os retardatários farão bem em ocupar o tempo com algumas entradas e um copo de vinho.
A este nível, numa garrafeira repleta de opções a várias dezenas de euros (e estamos a falar de vinhos brancos...), é impossível não notar uma inflação despropositada dos preços. Como exemplo, uma garrafa pequena de Planalto paga-se a 9,50 euros, quando o mesmo vinho, no supermercado, custa menos de um terço disso - no Continente on-line paga-se a 2,84 euros.
(Bom, chefe, tenho de confessar: almocei acompanhado. Num sítio daqueles não se come sozinho. A cerimónia de apreciar um robalo de dois quilos não é coisa para se fazer a solo e os peixes da "lota" são, por norma, muito grandes. Na nossa mesa apareceram dois salmonetes, excelentes, e um linguado, ligeiramente seco. A aclamada mestria dos homens da grelha do Mercado do Peixe teve aqui um momento infeliz...)
No final, a acompanhar o café, pudemos apreciar um pastel de nata acabado de fazer e que é uma maravilha! Manuel José Godinho almoçou aqui quatro vezes com alguns dos envolvidos no caso «Face Oculta». Não sabemos se usaram os babetes que alguns dos convivas envergam para não salpicarem as gravatas e camisas de seda, mas temos quase a certeza de que o restaurante foi do agrado do empresário de Ovar.
(E até digo mais: quem não acredita que os criminosos voltam sempre ao local do crime é porque nunca provou estes pastéis de nata...)"
Luís Francisco, O homem que gostava de peixe
Publicado por [Rick Dangerous] às 06:40 PM | Comentários (4)
Com tranquilidade

O Sporting está interessado neste jogador, cujos primeiros passos para o futebol foram dados num clube chamado (i shit you not) «Tiradentes»...
Publicado por [Rick Dangerous] às 03:33 PM | Comentários (2)
novembro 17, 2009
Mais contras que prós

Cheguei ontem a casa tarde e só pude ver o final daquele programa asqueroso apresentado por uma não menos asquerosa jornalista. Sobre o assunto em discussão, queria deixar duas notas.
1.ª O casamento é uma coisa que me diz muito pouco. Vejo-o, enquanto instituto integrado na mui nobre instituição família, mais como uma forma de manutenção e preservação de um dado património dentro da esfera particular de um grupo do que qualquer outra coisa. Não acho que o casamento - na verdade, um contrato bilateral com efeitos pessoais e patrimoniais para ambas as partes - tenha muito que ver com afectos ou sentimentos.
2.ª Não obstante, ao ouvir aquela gente ressabiada e bulorenta, que está sempre contra tudo o que esteja relacionado com mais liberdade individual, com mais liberdade de decisão sobre a vida de cada um, sinto-me compelido a intervir nesta luta, obviamente ao lado dos que defendem o alargamento do casamento a pessoas do mesmo sexo. Nem que seja só pelo valor simbólico que tal alteração legislativa sempre comportará.
P.S. Admiro e respeito o civismo das pessoas que foram ao programa defender a não realização do referendo. Confesso que seria incapaz de me manter sereno ao ouvir as baboseiras moralistas e conservadoras dos que lá foram, defendendo o referendo, demonstrar a sua homofobia e tacanhez. Não demoraria muito a partir para o insulto ou para qualquer acto menos dignificante. E o pior de tudo é que acho que o faria com gosto.
ADENDA: Queria apenas acrescentar que é, para mim, clara a inconstitucionalidade da discriminação do conceito de casamento do Código Civil. É também este um motivo óbvio para defender a alteração da lei no sentido da consagração do direito de pessoas do mesmo sexo se casarem.
Publicado por [Bounty Bob] às 11:54 AM | Comentários (5)
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HOJE
pelas 18h30, no Teatro Maria Matos, António Guerreiro e o Nuno Nabais discutem Biopolítica, uma organização daquele teatro e da Unipop.

Este é o texto dos organizadores:
“Nos últimos anos, a biopolítica de Michel Foucault tornou-se um sugestivo lugar de debate. O recurso ao conceito parece anunciar que a discussão da política terá que decorrer num plano que extravasa largamente o domínio do institucional, alastrando-se a todas as esferas da vida, no momento em que emergem novas técnicas de governo da população. Entretanto, e a partir da obra de autores como Giorgio Agamben, Roberto Esposito ou Antonio Negri, a noção de biopolítica tem sido objecto de interpretações diversas, por vezes até contraditórias, nuns casos apresentando o conceito como “grito de alerta” contra o actual estado das coisas, noutros interpretando-o como gesto de abertura de novos campos de poder político”
Publicado por [Paradise Café] às 11:48 AM | Comentários (1)
novembro 16, 2009
RAP recebe prémio da ILGA
Ouvi na SIC o Ricardo Araújo Pereira a dizer que não fazia ideia porque é que tinha recebido o prémio arco-iris que distingue aqueles que contribuiram para a luta contra a discriminação das pessoas com base na sua orientação sexual.
Eu também não.
Publicado por [Saboteur] às 02:15 AM | Comentários (11)
novembro 15, 2009
Crítica do Nacionalismo Económico
A nacionalidade do operário não é francesa, nem inglesa, nem alemã; é o trabalho, a escravidão livre, a traficancia de si mesmo. O governo do operário não é francês, nem inglês, nem alemão; é o capital. (...) O solo que pertence ao operário não é o solo francês «, nem o alemão, nem o inglês; é um solo que fiza alguns pés abaixo do chão.

No plano interno, a pátria do industrial é o dinheiro. Portanto, o filisteu alemão quer que as leis da concorrência, do valor de troca, da traficância, percam a sua validade quando chegam aos portões do país!

Saiu para as livrarias um pequeno livro de Karl Marx com dois pequenos textos: "Crítica de Liest" e "Discurso sobre a questão do comércio livre". Prefaciados por José Neves, os textos debruçam-se sobre a crítica ao proteccionismo e ao comércio livre, propondo o internacionalismo operário como resposta a estas duas soluções económicas.
Trata-se de textos de uma actualidade surpreendente que nos fazem pensar quão pobres, vazios e anti-marxistas são os agentes contemporâneos da luta que, paradoxalmente, tentam disputar o "marxismo" como se as suas propostas de gestão do actual alguma inspiração tivessem no pensamento político-económico de Karl Marx.
Publicado por [Paradise Café] às 01:31 PM | Comentários (9)
novembro 14, 2009
Le Monde diplomatique - Edição Portuguesa
Os três meses podem ser acrescentados à sua assinatura ou ser oferecidos como presentel a outra pessoa.

Lembrei-me de fazer esta publicidade porque acabo de ler o interessantíssimo artigo de José Castro Caldas, no número deste mês, sobre a atribuição do Nobel da Economia a Elinor Ostrom.
«O trabalho da vida de Elinor Ostrom põe em causa a ideia de inevitabilidade de existência de apenas duas alternativas: controlo dos "comuns" pelo Estado ou privatização. Ela defende, com base em abundante investigação empírica, que as comunidades podem ser capazes, não só de evitar a tragédia, como de gerir recursos em comum de forma mais sustentável que o Estado ou os proprietários privados.»
Publicado por [Saboteur] às 05:10 PM | Comentários (0)
Blackpot

Pela mão da Assírio & Alvim, encontra-se agora nas livrarias Blackpot, um policial inédito do americanizado pseudónimo de Dinis Machado. Para quem não conhece ou tem preconceitos sobre este género literário, sugere-se a leitura deste, como dos outros três livros que recentemente a editora deu à estampa. É bom, supreendente, simples e muito, muito inteligente.
Publicado por [Paradise Café] às 12:29 PM | Comentários (0)
Conferência Sindical Internacional

A adesão da CGTP à CSI não seria certamente a panaceia para os problemas dos trabalhadores, mas a recusa da maioria da sua Direcção em dar este passo ilustra bem como vai o nosso sindicalismo e como vamos ainda ficar quando Carvalho da Silva sair e Arménio Carlos assumir os comandos da Central.
Publicado por [Saboteur] às 11:54 AM | Comentários (7)
novembro 13, 2009
Eles andam aí... os espíritos parisienses !

Publicado por [Shift] às 07:00 PM | Comentários (0)
de eléctrico em barcelona 1908
Parece que este filme foi muito falado há uns meses mas só agora tive uma amiga lá da terra e empurrar-me para a maravilha. Pode dizer-se tanto, e tenho a certeza que algum estudioso do cinema já disse tudo o que havia para dizer, mas não posso deixar de convidar quem vai vendo este blog a repousar o olhar no filme à mesma velocidade do eléctrico. E, se tiverdes vagar, a vê-lo uma e outra vez.
Este filme lembra outro travelling famoso, aquele em que Nanni Moretti visita o descampado onde pasolini foi assassinado (em Caro Diário).Mas desta vez é tudo ao contrário: há gente nas ruas, o cenário é a cidade e não uma zona inóspita suburbana, há alegria e vontade de vida em cada passante e não o sonambulismo melancólico dos fantasmas que moretti vai cruzando, o eléctrico parece não ter destino fixado ao contrário da vespa de Moretti, em viagem de peregrinação. Além de observarmos passivamente, sentimos que centenas de olhos nos observam.
Alguma analogia se pode fazer entre este filme e os quadros dos realistas flamengos, nem que seja por atrair o olhar para o detalhe. Mas em movimento! Toda a gente vê os chapéus a saltar das cabeças, mas será que todos vêem a pantomima revisteira do moço a mostrar o traseiro à câmara? Também não é difícil reparar que a civilização do automóvel ainda não tinha canibalizado a cidade e que as bicicletas borboleteavam por ali. Mas será que todos reparam na desigualdade de género entre os proprietários/utilizadores dos veículos? Ficamos maravilhados com o vestuário daquela gente, as plumas nas cabeças das mulheres, os chapéus, mas será que, ao fazê-lo, nos questionamos sobre o significado cultural de só as crianças terem, e nem sempre, as cabeças descobertas (aqui estou a pensar nas coisas absurdas que se dizem hoje em dia a propósito de véus islâmicos)? E não haverá uma interpelação algo violenta ao nosso enfado pequeno-burguês no êxtase das caras anónimas reveladas neste travelling? Se alguém se der ao trabalho de ver o filme, e já entrando no ritmo lento destes curtos sete minutos, gostava que esse alguém aqui dissesse qualquer coisa sobre o que deles colheu para si e eu direi qualquer coisa quando de lá voltar.
Publicado por [Renegade] às 11:48 AM | Comentários (4)
novembro 11, 2009
O número 1
«Há notícias na vida que pela sua dureza nos chocam, a morte de Robert Enke é, sem dúvida, uma delas. Nunca ninguém está preparado para enfrentar o desaparecimento físico de alguém com quem conviveu e de quem guarda boas memórias. Mas quando a tragédia atinge alguém com a idade de Robert Enke, a frustração é ainda maior»
Publicado por [Rick Dangerous] às 01:06 AM | Comentários (22)
novembro 10, 2009
Budapeste II
Publicado por [Saboteur] às 07:07 PM | Comentários (0)
novembro 09, 2009
20 dias

O Centro de Cultura Libertária, espaço anarquista existente há 35 anos, está a ser ameaçado de despejo por parte do proprietário.
O CCL é um ateneu cultural anarquista fundado em 1974 por velhos militantes libertários que resistiram à ditadura, ocupando desde então o espaço arrendado no número 121 da Rua Cândido dos Reis, em Cacilhas. Tem sido um espaço fundamental para o anarquismo em Portugal acolhendo sucessivas gerações de anarquistas e libertários. O Centro possui uma biblioteca e um arquivo únicos em Portugal, com material anarquista editado ao longo dos últimos cem anos, assim como uma distribuidora de cultura libertária. Durante a sua existência, o Centro acolheu várias actividades, tais como debates, passagens de vídeo ou diversos ateliers. Diferentes publicações aqui se editaram, como a Voz Anarquista nos anos 70, a Antítese nos anos 80, o Boletim de Informações Anarquista nos anos 90 e o Húmus, mais recentemente.
Em Janeiro de 2009, foi instaurada por parte do proprietário do edifício uma acção de despejo contra o Centro. Esta acção foi contestada por vias legais, o que deu lugar a um julgamento que decorreu entre Setembro e Outubro. No dia 2 de Novembro, foi emitida a sentença que resultou na resolução do contrato de arrendamento, tendo sido dados 20 dias ao Centro para abandonar as suas instalações.
O Centro vai recorrer desta decisão. Nesta nova fase é preciso suportar custos que dizem respeito ao recurso e aos honorários do advogado. Até à data ainda não sabemos exactamente a quantia necessária mas, pelo que averiguámos, será necessário reunir umas largas centenas de euros.
O contexto que deu origem a este caso não diz respeito apenas ao Centro de Cultura Libertária, mas a todos aqueles que se vêm a braços com a falta de escrúpulos dos senhorios e restantes especuladores imobiliários. É importante relembrar que, ainda que este processo tenha sido iniciado sob alegações do ruído excessivo produzido pelos frequentadores do Centro, estão em causa outros interesses, nomeadamente o do senhorio em rentabilizar o espaço, alugando-o por um preço bastante mais elevado do que o praticado agora.
O desaparecimento deste Centro significaria a perda de um importante espaço de reflexão, debate, luta e resistência.
À semelhança dos/as companheiros/as que lutaram para que este espaço existisse, resistiremos uma vez mais, e NÃO perderemos o CCL nem às mãos dos tribunais, nem da especulação imobiliária nem por nada.
Continuaremos a lutar para que este espaço continue!
Toda a solidariedade e apoio que possam dar força à resistência do CCL é da máxima importância e urgência.
Saúde e Anarquia!!!
Centro de Cultura Libertária
07.11.09
Publicado por [Rick Dangerous] às 12:03 AM | Comentários (17)

